terça-feira, 18 de dezembro de 2007
What the hell is fluxus?
I figure it must be better than playing mindless video games.
Check it out: http://fluxlisteurope.blogspot.com/
domingo, 9 de dezembro de 2007
Walking On The Moon
sexta-feira, 30 de novembro de 2007
Proust é Tudo por Arnaldo Jabor
Estou emocionado. Acabo de ler a última página de "Em Busca do Tempo Perdido", de Marcel Proust, "O Tempo Redescoberto". Sim, eu nunca tinha lido Proust, confesso, a não ser o primeiro volume, "No caminho de Swann", mas depois deixei cair e não continuei. Pois nos últimos cinco meses não fiz outra coisa senão ler a obra completa de mais de 3.000 páginas e, agora que acabei, tenho vontade de começar de novo, como se a vida se me esvaísse e eu precisasse de novo alento. Fechei o livro como se perdesse um amigo. Como pude viver tanto tempo sem conhecer este grande herói da solidão da arte que nos ofertou sua própria vida, uma vida que ele viveu "fora" da vida mesma, solitário observador na malta de mundanos quando freqüentava a sociedade frenética dos salões da Terceira República francesa, ainda com os ecos do Segundo Império? Aquela sociedade, que era a perfeita lente de aumento sobre as paixões e vaidades rasteiras em sua aparente sofisticação, ali, antes e durante a Primeira Guerra, uma sociedade oscilante entre a aristocracia decadente e a burguesia afluente, num jogo de fascínio e desprezo mútuos, ali, no começo do anti-semitismo do século XX e das tragédias que iam culminar em Hitler e que deixou rastros até hoje.
Proust ilumina o momento mais fecundo do modernismo, ele, um cubista dos sentimentos, sob o mesmo vento que batia em Joyce, Picasso, Freud, Einstein, vergado sob a relatividade do espaço-tempo, sofrendo a explosão do Sentido, a irrupção do Inconsciente. Mais que Joyce (perto de Proust, ele parece um frio fazedor de trocadilhos), ele inventa a literatura moderna.
Na vida que levo, comentando a vergonha de nossa política, em meio à decadência da arte, da cultura morna e paralítica, ao lê-lo, tive a sensação de alguma coisa relevante, alguma coisa que toca o "real" e que raspa o mistério sempre inalcançável da existência, a presença arrebatadora do sublime, no sentido que Kant deu à palavra, emoção que em literatura, que eu me lembre, só tive com Shakespeare e com a "Ilíada".
O leitor vai torcer o nariz e perguntar, irritado com meu entusiasmo: "Mas, afinal, por que? Qual é a dele, desse tal de Proust, que dizem que era veado?"
Não quero fazer filosofia barata em cima dele, pois ele escapa a qualquer síntese, como a própria vida. Mas acho que "a dele" era a seguinte: Proust encetou uma tarefa impossível - atingir o real. E a beleza trágica dessa impossibilidade acendeu a luz irradiante da obra. Ele busca a dissecação dos sentimentos pela poética, assim como Freud, na tradição científica. Proust fez a geometria das emoções, descrevendo ciúmes, amores, inveja ou medo com a nitidez de um teorema, com a limpidez de um mapa de geógrafo. Irritava-se quando diziam que ele era um microscópio dos detalhes, pois queria descobrir leis, regras fixas que resumissem a estrutura dos comportamentos.
Que imensa coragem a sua marginalização escolhida! Que solidão! O que fez esse homem ficar à margem da vida, vivendo-a, no imenso sofrimento de tudo ver e de nada participar, diante da feliz insanidade dos homens comuns, ele, uma bicha solitária em pleno preconceito dos anos 10, ele, com uma sensibilidade que doía a cada ridículo, ele que transformou a própria anomalia em arte total, ele que escreveu uma "Ilíada" interior, um Homero de aparentes irrelevâncias, sem fim nem começo, indo da infância até a morte num trajeto circular e recorrente, indo da natureza que examinava em detalhes até os salões de duques e príncipes, ele que se detinha nos irisados matizes de uma corola, desde o brilho róseo, lunar e suave das flores nos bosques até os tremores de cílios da vaidade, os lábios vorazes da glória mundana, a dentadura brutal do rancor, o esgar da inveja, o desespero da solidão sexual nos bordéis para masoquistas, a crueldade dos amores egoístas, o ciúme como tortura desejada, tudo em uma sociedade se contorcendo sob a luz negra da Primeira Guerra, Paris trêmula, com viciados sodomizando-se no breu dos túneis do metrô, sob as bombas dos aviões alemães, a bravura sem prêmio de soldados, a covardia de duques arrogantes, o horror do caso Dreyfus dividindo a sociedade em anti-semitas e democratas, o ridículo profundo que ele analisava com compaixão e sem dele se excluir, ele, que tudo via, com uma mente de Dante, de Homero, com o olho feminino e atento tanto para as nuances do vermelho Carpaccio das sedas da duquesa e dos azuis Veronese de um robe de Fortuny, como para a morte latejando nas artérias de príncipes envelhecidos nos salões, e sempre imolando a vida à arte, querendo deixar algum vestígio no Tempo, pensando não em leitores que o aprovassem, mas, generoso, para criar "leitores de si mesmos" (como ele escreveu), para ser uma espécie de lupa que lhes desse meios de se lerem. Essa é a sensação de vazio que me toma. Enquanto eu o lia, eu me lia, estava perto de verdades profundas, aparentemente tão rasas e mundanas. E agora que acabei, penso: "Que será de mim sem ele?" A mediocridade geral da República volta como uma maré suja, as notícias do erro nacional, as imagens da feiúra, a morte da beleza batem à porta.
Escrevo este artigo com sentimento de culpa (vejam vocês), pois estou falando de Proust em vez de Renan Calheiros... Que vão pensar de mim? Imagino o leitor: "Será que ele está querendo se exibir, bancar o culto? Como ousa falar de alguém ’artístico’ neste mundo em que a superficialidade da arte e da cultura está na razão direta da complexidade crescente da tecnociência?
É verdade. Talvez seja um pecado falar essas coisas. Proust vive em um mundo acabado, no início do século XX, quando ainda havia a extraordinária importância da arte, da pintura, música, literatura. E havia alguma esperança de Sentido, quando esse "sentido" já se esvaia e os grandes artistas do modernismo tentavam salvar o afogado. Talvez o maior êxtase de ler Proust resida em nos lembrarmos de como era a beleza, como era a esperança na arte.
E tem mais: nós não estamos no futuro desse tempo passado, não. Com todo o progresso da informação e da tecnologia, nós somos sua decadência.
quinta-feira, 22 de novembro de 2007
Naomi Wolf and "The End of America"
Possibly, Ms. Wolf has now matured. Let us set aside, for the moment, her idiotic ideas on men and look at her more cogent ideas concerning the Bush administration's systematic destruction of our democracy because on these I cannot disagree.
She lists 10 points:
1. Invoke a terrifying internal and external enemy
2. Create a gulag
3. Develop a thug caste
4. Set up an internal surveillance system
5. Harass citizens' groups
6. Engage in arbitrary detention and release
7. Target key individuals
8. Control the press
9. Dissent equals treason
10. Suspend the rule of law
For more detail, see her article at this link:
http://www.guardian.co.uk/usa/story/0,,2064157,00.html
sexta-feira, 16 de novembro de 2007
The 1936 documentary, Rio de Janeiro: "City of Splendor"
quinta-feira, 15 de novembro de 2007
NIMROD NATION
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Marisa Monte Site Oficial -- Official Site
http://www2.uol.com.br/marisamonte/site/abertura.htm
The site gives the lyrics to many of her songs, as well as the English translations (which could have been much better).
terça-feira, 13 de novembro de 2007
This space is reserved for "Arnaldo Jabor and Yoko Ono: Coming soon, but not together, right now"
OK, here is my sometime hero, Arnaldo Jabor, adding an interesting angle to the historical record:
"Por que jamais gostei da Yoko Ono: a arte da viúva de Lennon tem gosto de nada", Arnaldo Jabor, O Globo, 13 outubro 2007, Segundo Caderno, p. 10.
Conheci Yoko Ono ao mesmo tempo que John Lennon. Ou quase. Eu estava em Londres em 1967, na semana em que foi lançado o álbum Sargent Pepper, que coloria todas as vitrines de King´s Road, quando ouvi falar da Yoko. Lennon a conheceu na mesma época: "fatal encounter". Me disseram: "Tem uma japonesa ai interessante, que vai fazer um "happening" num teatro que vale a pena ver".
Lá fui eu, movido pela "febre do novo" dos anos 60. Yoko mostrou um filme que ela trouxe também para sua turnê em São Paulo. Chamava-se "Bottom" e era um documentário até engraçado, pois ela entrevistava pessoas, apenas mostrando suas bundas, enquando andavam no mesmo lugar. As bundas se moviam e, em "off", ouvíamos suas opiniões sobre a vida. Era legal, pois algumas bundas combinavam muito com as opiniões emitidas. A bunda é também a cara do dono. Talvez seja até mais verdadeira, pois a cara dá para mudar, repuxar, maquiar, mas a bunda fica ali, denunciando tudo, se bem que hoje, com as plásticas, as bundas ficaram mais enganosas. Depois desse filminho simpático começou no teatro um ritual "hippie nipônico" que começou a me irritar. A Yoko subiu ao palco e com um autoritarismo "soft", convenceu a platéia se dar as mãos e a contemplar o "prana", a energia vital que "estava em tudo". Ela era pequenininha, mas visivelmente mandona. Sua mansidão humilde de japonesa, era visivelmente fabricada, ocultando uma grande ambiciosa. Era até bonitinha, de rosto e seios, (bundinha caída...) mas, tinha charme. De repente, lá estava eu de mãos dadas com um inglês desconhecido de um lado e uma senhora gorda de bata colorida do outro, me concentrando minha mente no "universo da Yoko".
O lado babaca dos anos 60 ali se manifestava: uma onipotência holística, mística, um amor geral proclamado a "tudo", o exercício de um poder que não existia. Tudo aquilo era uma bobagem, um evento irrisório, diante da maravilhosa força dos Beatles lá fora, estourando naquele álbum obra-prima, mudando o mundo real, dentro do mercado, dentro da vida concreta, longe das babaquices semi-religiosas que também rolavam na "swinging London". Foi aí que comecei a não gostar de Yoko. Ela não tinha feito nada contra mim, coitada, nem contra ninguem, ainda, mas, como se diz no Rio, gratuitamente, "eu não fui com os cornos dela..."
Aí, passou um tempo e um dia eu vejo que a Yoko Ono estava namorando o John Lennon. Tremi. Senti que mudava uma época. Foi o mesmo tremor, quando soube do "blow job" catastrofico da Monica Lewinski no Clinton, que mudou o Ocidente, o mesmo tremor, quando o Sharon botou o chapéu e invadiu a Esplanada das Mesquitas, a beira do acordo de paz, o mesmo que sinto agora vendo o Paquistão preparar o terrorismo nuclear com suas 30 mil madrassas e o Osama ali nas bocas. (Claro que a escala sísmica é variada, mas o tremor é o mesmo é a certeza do erro sendo cometido).
Nesses dourados anos do desbunde , conviviam lados construtivos e auto-destrutivos. Quando soube do namoro da japonesa filha de banqueiro e radical, eu senti que Yoko tinha entrado para acabar com os Beatles, que certamente ela considerava "caretas". Não por acaso, logo depois, o Lennon declarou que o "sonho tinha acabado", em pleno sucesso do grupo. Imaginem se Yoko teria peito de ir procurar os Rolling Stones com esse papo; o Keith Richards botava ela no olho da rua a pontapés. Mas os Beatles, mais romanticos, mais bobos, deixaram entrar em a vibora que os destruiria. Fálica, castradora.
Nesta época, a humanidade era dividida pelos jovens em: caretas e "muito loucos". Beatles e Rolling Stones. No entanto, ambos eram importantíssimos, pois furavam a parede boçal da cultura de massas, levando adiante uma arte superior.
Mas, na década de 70 (que já se prenunciava nesse ano), surgiu uma terceira força, árida, muda, dolorosa, uma melancólica e ácida recusa à vida criativa, uma fuga do mercado e da criação que chamaram de "conceitual". A arte conceitual era uma sopa-no-mel para oportunistas e gente sem talento. Para esses teóricos, um conceito, uma ideia (ou "a ideia do que eles achavam que seria uma ideia") podia substituir a obra. Tudo era banido: o sucesso, a vivencia estética, o prazer, o mercado, tudo era um dogmatismo simplista da revolução critica que Duchamp tinha feito em 1920. Yoko era um agente da máfia conceitual. Ai começou a corrosão dos Beatles. Em pouco tempo,o grupo estava esfacelado, com o Lennon perguntando como o Paul McCartney podia dormir de noite ("how can you sleep at night?"), como se o grande Paul fosse um alienado, um direitista.
Ai, vi aquela foto otima da Annie Leibowitz, onde o Lennon se agarra como um bezerro nu no corpo de Yoko. Claro que,mesmo dominado pela baixinha, o grande Lennon continuou fazendo coisas ótimas, desde "Imagine" até o "Double Fantasy", seu ultimo disco antes do assassinato.
Mas a revolução "yokoniana" em que consistiu? Que fez ela alem da dissolução dos Beatles? Que apresentou ela ao mundo, se tudo foi feito por ele? Yoko nunca fez nada de relevante, a não ser dominar a alma do cara. Ela inventou vagos eventos, como ficar na cama diante da imprensa, pálidas demonstrações de desgosto pelo mal-do-mundo ( ela declarou anteontem aqui que "as guerras são desnecessárias e poderiam ser resolvidas por advogados..."); pode? E o mais interessante no picareta conceitual como ela, é a ideia de que a própria falta de talento já é um talento, que a bobagem irrelevante já é uma talentosa denúncia da própria arte como coisa "menor".
O que teria havido se os Beatles tivessem existido juntos mais tempo? A esperança teria sido mais longa? O romantismo psicodelico teria derivado para a caretice dos "Saturday Night Fevers" com tanta facilidade nos anos 70?
Por isso, nunca gostei de Yoko. E, ontem, li no jornal uma frase otima de Daniela Thomas, depois da performance da viúva em SP: "Depois de ver tudo aquilo, entendi porque eu queria matar a Yoko na infância.."
Eu também.
If only Arnaldo had met Yoko in Rio and had succeeded in persuading her to accompany him to that derelict coach in his left-wing hideout.
Here is a reaction to Arnaldo's column, written by Sergio Leo, a journalist in Brasília (for link, click here):
quarta-feira, 10 de outubro de 2007
Arnaldo Jabor as Darth Vader
Jornal O Globo, Segundo Caderno, pg. 10, dia 09 de outubro de 2007:
'Nesta platéia, há um ritual de comício
Fui ver o "Tropa de elite" como quem vai cometer um crime, fui assistir ao filme para me "purificar", mergulhando em um poço que imaginava tenebroso.
No tempo do Esquadrão da Morte, tudo que o bandido destinado a "presunto" implorava aos policiais, com o fio de náilon passado em seu pescoço, era que eles avisassem a hora em que iam seccionar sua carótida, afogando-o em sangue. Mas os caras maus não diziam, e o fio era puxado de repente e zás... pescoço cortado. A namorada de um matador me contou que ele se masturbava, enquanto executavam o vagabundo no terreno baldio, lentamente, com peixeira, para dar tempo de gozar no lenço.
Fui ver o "Tropa de elite" ansioso para fazer uma trip criminal contra minha antiga e cultivada "bondade": tesão de ser mau, querendo gozar com a violência. Não com a violência "estética" de lixos fascistas como o filme "300", com cabeças e braços voando em câmera lenta, nem com Chuck Norris e outros assassinos. Não estava querendo ver os balés de corpos massacrados do cinema americano, o prazer da morte, eles, sim, "fascistas", esta vaga palavra mussolínica. Eu queria sentir o prazer da vingança, interpretado pelo meu "procurador" Wagner Moura, que, aliás, está genial no papel.
Já tinha visto "Notícias de uma guerra particular", a obra-prima de João Moreira Salles, (será que este nome renascentista se aplica a um filme como aquele?). Já tinha visto o excepcional "Ônibus 174", também de José Padilha (aliás, o maior sucesso do cinema brasileiro no mundo), mas esses e outros, como o "Cidade de Deus", provocaram em mim apenas um vago mal-estar político, uma indignação culposa, uma malaise humanista diante da bestialização da vida brasileira, provocada pela inexistência de poderes públicos e pela influência da multinacional da cocaína, cujos líderes políticos aqui, na América Latina e anglo-saxônica, impedem a legalização das drogas, para manter o lucro de bilhões. Essas e outras obras de denúncia política me davam uma espécie de "consolação" pela comiseração ou o lamento da miséria (como nomeou Marx em seu texto sobre os folhetins de Eugene Sue). Aliás, a miséria e a violência também já me foram "úteis" como assunto ou para eu posar de bacana, de politicamente correto, assim como já serviu a muito cineasta e literato para ganhar dinheiro, condenando-a.
Mas, quando eu fui ver o "Tropa de elite", eu não queria socialismo nem consolação; eu queria vingança. Tinha lido nos jornais a eterna polêmica de nossos intelectuais dualistas: progressista ou fascista? Esquerda ou direita? Essa gente só consegue raciocinar com um cuco na cabeça, batendo o pêndulo como um colhão pendurado, tentando enquadrar a realidade num conteúdo ideológico qualquer. Muito bem. Fui.
Entrei no cinema ofegante, ocultando-me na gola do sobretudo como um suspeito, e vi o filme.
E verifiquei que o filme não era um filme. Calma, não estou esculhambando. Era mais que um filme: era um evento, uma experiência. Ninguém foi "vê-lo" - foram senti-lo, vivê-lo.
Em filmes recentes (e esse é um deles), há uma urgência até meio "antiartística". Tudo parece um grande videoclipe jornalístico, tudo é um berro assumido como um manifesto, para dar conta de uma realidade terrível mas invisível no dia-a-dia. Não há lugar para a "arte". A única mise-en-scène do filme é não ter mise-en-scène. Por exemplo, no "Notícias de uma guerra particular", ainda há uma forma: a tensa banalidade de tudo, a trágica beleza de nossa impotência diante dos fatos mostrados. Ali, está a arte. Em "Ônibus 174", Brecht se vira no túmulo quando, num raro momento da história do espetáculo, o seqüestrador (que sabemos que vai morrer, ao lado da moça também condenada) se vira para a câmera, para nós, no olho, na platéia, e berra: "Isso aqui não é filme, não! Aqui é a realidade!" Ali, explode a arte, ali viramos ao avesso e somos ejetados da sala, caindo em lugar nenhum.
Neste filme, não. No "Tropa de elite", a importância não está na narrativa (até bem "americana"); a importância não está no que ele concluiria ou nos ensinaria (já houve tempo em que queríamos "conscientizar" as pessoas com o cinema... já houve tempo em que a arte tinha a esperança de sedimentar ensinamentos...). Neste caso, não: a importância do filme é ter nos transformado em personagens.
As milhares de cópias piratas buscadas com fome, as platéias sideradas quase sexualmente pelo sangue mostram que nós somos os personagens de um país sem enredo, que estamos famintos de que algo aconteça, de que alguma forma de justiça se faça, de que alguma organização apareça, de que não haja só aquela polícia podre que rouba peças de carros da PM para vender, de oficiais pegando jabá do bicho, de que haja heróis incorruptíveis e machos vingadores de nossa insegurança. E senti no ar até uma certa decepção na platéia com a "crise", o breakdown do Wagner Moura. E me angustiei ao ver que o filme é tão perplexo como nós. Não sabe o que dizer, pois não há nada mais a dizer.
As multidões vão ver esse filme porque querem que ele seja uma resposta.
Não interessa se "Tropa de elite" é um filme ruim ou bom. O que conta é a fome de "solução" que ele desperta em nós.
Infelizmente, Wagner Moura, nem ninguém, nos salvará. O filme exibe a nossa impotência, diante do crime e da desordem republicana, nossa dolorosa decadência provocada pela política imunda que paralisa o país.'
sábado, 6 de outubro de 2007
Senador Pedro Simon tells us to take to the streets -- and he is completely right!!!
"...Quando Simon se preparava para subir à tribuna, Renan saiu.
-- Quem espera deste Congresso medidas que mudem a realidade brasileira, quem espera do Judiciário, quem espera do presidente Lula vai morrer esperando, porque elas não vão sair se o povo não for para as ruas. Não estou falando em ir para as ruas num movimento de violência, de radicalismo, nem num movimento de empresários. Estou falando de um movimento da sociedade. Sim, pintar a cara de verde e amarelo, vir para a frente do Congresso, ir para a frente do Supremo, da Presidência, e cobrar as transformações éticas, morais, de dignidade e de seriedade da sociedade brasileira -- propôs."
