terça-feira, 31 de julho de 2007


I ran across a sort of flickr-type site based in Portugal with really great work (http://olhares.aeiou.pt/galerias/detalhe_foto.php?id=1062458). The photographer's nickname is Bluegirl.

Arnaldo Jabor was "strrrrrroooonnng" today

Generally, it takes me a while to figure some things out, as, for example, the fact that Arnaldo Jabor's column in the Segundo Caderno of O Globo is published on Tuesdays. But, I figured it out a few days ago, and it was with a sense of delicious anticipation that I logged onto this Tuesday's online edition of O Globo. Further, not wishing to gratify myself so early in the day, I paced myself and first read the front section. Only then did I permit myself to commence reading Mr. Jabor's column. But from the very first sentence, I knew that I was going to be in for a rocky ride. First my mouth closed and my lips pressed together. My face began to screw up in a grimace. My eyebrows went up. My brow furrowed. My eyes squinted. My face would not keep still. I squirmed in my chair. His words were "strrrrroooong," as my older brother, Richard, would say.

Now, in order to pronounce the word strong in the correct sense and meaning intended in the present instance, you must grit your teeth together while pronouncing the "s," then clench your teeth on only one side of your face, drawing back your lips on the same side while nearly growling out the rrrrr's very deeply in the back of your throat, only opening your mouth slightly while thrusting out the lower jaw to pronounce the "o" for at least a full second (like a prolonged "aw"), all the while leaning forward slightly, glaring at your listener with your dominant eye, and to complete the effect, use an accent from southern Illinois (which is akin to that of western Tennessee, if you know what I mean).

Mr. Jabor's words were screaming of his frustration. He imploded. Then he exploded. In other words, he went supernova and it was not pretty. I pity his keyboard. Still, he is the only one saying what we all want to say (albeit in other words). But words are not enough. Only actions will solve this mess.

ADDENDUM: For those of you who do not know, I will tell you that it is not possible to copy text directly from the online version of O Globo. Therefore, it is necessary for me to laboriously type each and every word from Sr. Jabor's column directly into my blog. Today, his words are so graphic that I do not feel comfortable placing them in this post. Instead, I am providing a link to a site with pertinent YouTube videos: http://letrasdespidas.wordpress.com/2007/07/11/comentarios-do-arnaldo-jabor/#comment-500
ADDENDUM of August 8th: I found a site where you can read Mr. Jabor's column of July 31st without me having to go to the trouble of typing each word into this blog.

segunda-feira, 30 de julho de 2007

Flickr fotos!!!!

For all of you who love photography:


Photo by Robert Wurth, copyright 2007
Flickr nickname:. .Zuiun

Flickr webpage:

sábado, 28 de julho de 2007

KibeLoco is one of the most sophisticated and professional blogs that I have seen so far. And it is quite "ironic," as they say here. (The correct word in English would be "sarcastic.") They don't let anything slide. Additionally, they provide the links to prove their points. Some are quite funny, as for example, Petrobras's extraterrestrial website (what were they thinking?). Petrobras's site is flash based, so be patient and wait for the flying saucer to buzz off -- the real page will then appear.

Those Arrogant Americans!!!

I couldn't help it again, damnit! I have stolen the words below from the "Reality Is Out There" blogger: http://c-avolio.com/2007/07/o-chato.html

O chato

Lá vou eu novamente dar uma de chato da festa...

O time de futebol feminino cumpriu o seu papel e fez o que qualquer time formado por jogadoras profissionais deveria fazer ao encarar um time de futebol Sub-20: arrasou. Este tipo de disputa é o que chamamos de brigar com bêbado: se você bate, não fez mais que a sua obrigação; se apanha, é uma vergonha só. O time brasileiro fez seu papel: atropelou e ponto final. Se os EUA resolveram mandar sua equipe Sub-20, as meninas do time brasileiro não têm nada a ver com isso. Mas caindo na real, o verdadeiro bicho papão joga hoje contra o Japão de olho na Copa do Mundo em Setembro.

Algumas palavras das arrogantes yankees após a partida:

“Competing in this Pan Am Games has been a privilege for our players. This is a young team and one cannot beat the experience of playing Brazil in Maracanã Stadium in front of a packed house. Brazil had an exceptional level and style of play that contributed to their great success. We will learn from all of it.”

Técnica Jillian Ellis

“Even though we lost, playing in an environment like this was a chance of a lifetime. It is pretty amazing that we got the chance to play against Brazil in Maracana Stadium. It is one of those rare opportunities that I will remember forever.”

Atacante e capitã Lauren Cheney

“This was an honor to play soccer in a country that loves the game like Brazil does, win silver, and be a part of the Pan Am Games. We are a young team and we will take this tournament for the amazing experience that it was. We battled against Brazil and they were one of the best teams I have ever played against, but we will learn from it. After this tournament we can only go up from here. I know this experience will benefit this team tremendously as they prepare for the U-20 World Cup next year.”

Lauren Cheney

Quem essas peruas yankes pensam que são para demonstrar tamanho respeito e admiração pela equipe brasileira?


quinta-feira, 26 de julho de 2007

My friend Liane in Galveston, Texas, July 26, 2007


Fernando Pessoa

Ó mar salgado, quanto do teu sal

São lágrimas de Portugal!

Por te cruzarmos, quantas mães choraram,

Quantas noivas ficaram por casar,

Para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena,

se a alma não é pequena.

Quem quer passar além do Bojador,

Tem que passar além da dor.

Deus ao mar o perigo e o abismo deu,

Mas nele é que espelhou o céu

Lhasa de Sela, the Edith Piaf of Mexico

I ran across a blog that has an embedded MP3 player in it (http://wavingwords.blogspot.com) with the incredible voice of Lhasa de Sela (a chamada "Edith Piaf" of Mexico).

Click on the link above to listen to 2 or 3 of her songs -- the quality is much better than the two YouTube videos listed below. BLOGGER'S NOTE OF DEC. 16, 2007: unfortunately the blogger deleted the MP3 player.

Lhasa de Sela singing "De cara a la pared"

Lhasa de Sela singing "El desierto":

terça-feira, 24 de julho de 2007

Noblat's Jazz Plugin

Ricardo Noblat has a blog page on O Globo with a plugin to continuous jazz (mostly Brazilian). Just click on it, put on your headphones, go on with whatever you were doing, and enjoy! (It is down on the left-hand side, entitled, "Estação Jazz & Tal.") --- It's lovely, really very lovely!!!

http://oglobo.globo.com/pais/noblat/PerfilDoNoblat.asp_blog do noblat

Arnaldo Jabor, Telling It Like It Is!

A síndrome da incompetência generalizada -- Não há remédios para a doença administrativa que assola o país
A sordidez do que acontece no Brasil é tal que até criticar o governo só serve para legitimá-lo. Este governo não merece nem uma critica à "luz da razão". Tem de ser analisado como um exame de patologia clínica. Estamos sendo infectados por uma doença histórica. Chama-se a "síndrome da incompetência generalizada". Ou então, "falência múltipla dos órgãos públicos".

Esse doença se espalha a partir do centro do Executivo, do topo da pirâmide de poder. Lula foi a bandeira de bolchevistas e intelectuais durente décadas. Era a esperança do velho populismo e dava um rosto operário concreto aos ideólogos. Controlado pelos comandados de Dirceu, acabou eleito pela habilidade realista de um publicitário. Com a intervenção salvadora de Jefferson, Lula criou sua própria doutrina, que hoje se derrama sobre todos os aparelhos de Estado e se infiltra, pelas alianças, nos outros poderes. As características dessa doença que infecta o país oriundas de uma vasta cepa de germes históricos e ideológicos. Há uma cepa herdada (resistente a antibióticos) de um autoritarismo com ecos stalinistas, que se cruzou com o germe do sindicalismo oportunista, com o estafilococos do populismo pós-getulista, formando um novo tipo de micróbio que, com a baixa imunidade da democracia representativa, se espalha de forma profusa e letal. Essa doença grave fica muitas vezes dissimulada pela figura de Lula, com seu carisma de símbolo, assim como certas febres podem levar a alucinações enganadoras.

Lula não ama o povo. Ao contrário, quer ser amado por ele. A recente vaia que o "mago-ou", feriu-o por ele se sentir uma espécie de pioneiro de ascensão social, que ele diz desejar para todos. Aliás, a crença de que o homem "de esquerda" pensa no "bem" real do povo é mais uma falácia herdada da tradição. Stalin amava o povo? O povo é visto pelos totalitários como uma "massa" (nome usado por eles) a ser moldada como uma máquina humana se reproduzindo sempre, obediente a líderes. O "povo" não é visto como seres para brilhar ou florescer, mas para ser controlados. O recente "top, top" do velho Marcos Aurélio é a metafora simétrica da vaia: "Vão ter de nos engolir!" -- a opinião pública e a impresa, o inimigo maior...

Outra característica dessa anomalia é sua espantosa incapacidade administrativa. A ideia de "competência" é vista com desconfiança, inclusive teoricamente, como já foi relatado por intelectuais como Marilena Chauí, porque a competência técnica pode "encobrir um desvia neoliberal, de direita". "Administrar" é visto como ato menor, até meio reacionário, pois administrar é manter, preservar, coisa de capitalistas. A incompetência paralítica deste governo é uma mistura esquisita de restolhos de slogans socialistas com uma adesão custosa e desconfiada ao nosso subcapitalismo, a não ser nas regras "macro" que FH deixou, em que Lula, por instinto, não mexe.

Essa ambigüidade paralisa processos e projetos. Nosso Estado quebrado não pode fazer desenvolvimentismo, e a desconfiança congênita na iniciativa privada impede o crescimento. Só respeitam os bancos e os grotões eleitorais. Isso, misturado a uma vaga idéia de "futuro" que habita a tosca cabeça dos sindicalistas oportunistas e velhos bolchevos, cria uma desvalorização do "aqui e agora", como se o "presente" fosse algo desprezível. Assim, tudo fica parado no ar, nada sai do papel. As promessas e os anúncios bastam, a realização é supérflua.

Sem falar na infecção do baixo aliancismo -- o que faz a roubalheira ser vista quase como um mal necessário e inevitável ("Oba!"), o que permite a predação da República com a consciência limpa.

Também a invasão de cargos técnicos por hordas de sindicalistas sem preparo, ignorantes gera a infecção da burocracia labiríntica. A confusão mental e a obsessão paranóica da "conspiração" criam mecanismos de defesa que impedem qualquer eficiência, em nome de uma vigilância contra os inimigos (nós). Assim, nada anda com o passo eficaz do capitalismo. Em dez meses de caos aéreo, com 354 mortos, só agora se tocaram para o óbvio de medidas anunciadas e que talvez nem sejam cumpridas. A isso, claro, some-se o caráter preguiçoso e deslumbrado do Lula, que se declina por todos os escalões do Estado, como uma degeneração de qualquer fé ou iniciativa. Se o comandante berra "Dane-se!", todos depõem suas armas. Além de não saber o que fazer, Lula não tem saco para nada. Sua atitude de se colocar acima da política cotidiana desqualifica a própria política, como sendo coisa menor, o que é uma sopa no mel para corruptos e vagabundos.

Por outro lado, como a economia mundial é favorável, temos a impressão de saúde, e os danos ficam ocultos e só ficarão claros com a próxima crise. Em vez de ser usado, a economia mundial está sendo abusada, como uma droga entorpecente. Pela ausência de projetos, resta aos donos atuais do poder manter comprado o apoio das "massas", com BolsasFamílias e aumentar gastos públicos em contratações e falsas iniciativas. Tudo que tinha de ser reformado não o será, pois "reforma" repugna revolucionários.

É isso aí. Tudo que o governo anterior introduziu e que poderia nos fazer avançar foi paralisado. Estamos diante de um grave retrocesso histórico. A tragédia de Congonhas é uma metáfora sinistra de nosso momento: o avião estava muito veloz para frear e muito lento para arremeter. Como o Brasil. Não só nada avança, como o que antes funcionava está quebrando. Alem disso, os germes cruzados com muitas cepas, fortalecidos por décadas de superstições populistas, são muito resistentes. Não há antibiótico conhecido contra esses micróbios. Nenhum, muito menos o PSDB, que morreu, contaminado por si mesmo.

Here, a link to more of his work: http://www.paralerepensar.com.br/a_jabor.htm


Drops Magazine

Drop's website is an excellent source for news on new films and other cultural events (sorry, English readers, it is in Portuguese): http://www.dropsmagazine.com.br/colunas.php?page=2&id=000007

domingo, 22 de julho de 2007

O Imortal Arnaldo Jabor, Meu Guerreiro!

This website is incredible: www.kibeloco.com.br

And, even more amazing is this site from Petrobras:


A Treasure from the Midwest

Here I go, stealing other people's words, again, but I just couldn't help myself. My daughter just sent me an msm with a quote from Mark Twain and then the link to a good quotes page, so good that it was hard to decide which one to choose tonight.


...the trouble about arguments is, they ain't nothing but theories, after all, and theories don't prove nothing, they only give you a place to rest on, a spell, when you are tuckered out butting around and around trying to find out something there ain't no way to find out...There's another trouble about theories: there's always a hole in them somewheres, sure, if you look close enough.
- Tom Sawyer Abroad

How empty is theory in the presence of fact.
- A Connecticut Yankee in King Arthur's Court

More quotes: http://www.twainquotes.com/T.html

sábado, 21 de julho de 2007

A Witness

This young man lives near the airport in São Paulo, and he has a lot to say (postagens de 17 e 21 de julho de 2007):

Misinformation Strikes Again!

Just last week, during dinner at a friend's house, an acquaintance told me that a member of the U.S. team sent to Rio for the Pan-American Games had been sent back to the U.S. for holding up a banner at the airport that read, "Welcome to the Congo." I was told that the athlete had not even been permitted to leave the airport and had been shipped right back to the U.S. because no less a person than the U.S. Secretary of State had been contacted, and it was so ordered. I couldn't conceive of an American athlete doing such a thing, so I searched the net for information.

I couldn't find an article about it until this morning.

In fact, there was no banner at the airport.

And no U.S. athlete held such a banner.

Apparently, in an office of the U.S.O.C., in Rio, a "media" employee of the U.S.O.C. wrote this phrase on a whiteboard in the office, which he claimed was a reference to the warm climate here.

There is an article (which is reproduced in its entirety below) about this on the site of msnbc at this link:

These are links to articles in Portuguese on the subject:
http://oglobo.globo.com/esportes/pan2007/mat/2007/07/07/296679916.asp (the comments below this article are fascinating)

Look, there was no comparison made between the countries of Brazil or the Republic of the Congo. A guy walked into a hot, humid office in Rio that had the air conditioner turned off. We North Americans have all grown up watching innumerable Tarzan movies, and in extreme humidity we are very likely to think of an African jungle named the Congo, and not the Amazon jungle. There was no insult to Brazil here. But it is assombrado how something like this can be blown out of proportion by the press here. You know, the Brazilian press has a lot to answer for.

This all reminds me of the hoax, circulating here in Brazil, that claims that American children are being taught that the Amazon rainforest belongs to the U.S.
A few years ago, an e-mail went all over Brazil, and it included an image of what was purported to be a page from a history textbook teaching that the Brazilian rainforest belonged to the Americans. I could not believe how many intelligent people fell for that immediately, in much the same way that they also immediately believed that the American pilots of the Legacy jet involved in the crash last year were doing loop-'d-loops over the Amazon jungle. Incredible! On close examination of the image of the hoax, it was very easy to discern that the English of the page from the "textbook" contained many errors commonly made by Brazilian students of English, for example, in the very first paragraph, the incorrect use of the verb "to pass." A couple of weeks ago, I discovered that one of my former students is still under this misapprehension, as are all of the students in her classes -- she teaches at a secondary school. (So, I taught her the word "hoax.")

' "Welcome to the Congo!" sign forces U.S. to apologize to Brazil

Associated Press Sports
Updated: 2:05 p.m. ET July 7, 2007

SAO PAULO, Brazil (AP) -In a joke that made Brazilians cringe and forced the United States Olympic Committee to apologize, "Welcome to the Congo!'' was marked on a whiteboard at the USOC's office at the Pan American Games.

A photograph of the phrase in the office in Rio de Janeiro was published on the front page of Rio's O Globo newspaper on Saturday with a headline saying the joke was "full of prejudice'' as American athletes arrive to compete in the games, which start on Friday.

Rio Mayor Cesar Maia told CBN Radio it created a controversy in a nation that is extremely sensitive about being compared to much less developed countries.

The USOC issued a "deep apology to the people of Brazil and Rio de Janeiro'' in a statement on Saturday, and said the worker who wrote the phrase was disciplined and was no longer a member of the U.S. delegation. The person's name was not disclosed.

USOC officials also apologized in person to Maia, senior officials of the Brazilian Olympic Committee, and the Pan American Sports Organization.

The picture showed USOC media employee Kevin Neuendorf in front of the whiteboard with the phrase, and the story quoted him as saying it was written because "it's really hot in Rio.''

O Globo expressed doubt about the reason, noting that it was winter in Rio and the USOC office had air conditioning.

The newspaper also produced a full-page graphic showing a map of the globe, pointing out Congo and Brazil with bright red arrows with a headline in English and Portuguese, saying "Watch and Learn.''

About 5,500 athletes from 42 countries are expected at the July 13-29 games, as well as 2,000 delegation members, 3,000 journalists and 15,000 volunteers.'

Feliz Dia do Amigo!

My dear friend, Fabiana Tanajura, sent this scrap to me. I don't know the author's name, but it is quite nice:

Pode ser que um dia deixemos de nos falar...
Mas, enquanto houver amizade,
Faremos as pazes de novo.

Pode ser que um dia o tempo passe...
Mas, se a amizade permanecer,
Um do outro há de se lembrar.

Pode ser que um dia nos afastemos...
Mas, se formos amigos de verdade,
A amizade nos reaproximará.

Pode ser que um dia não mais existamos...
Mas, se ainda sobrar amizade,
Nasceremos de novo, um para o outro.

Pode ser que um dia tudo acabe...
Mas, com a amizade construiremos tudo novamente,
Cada vez de forma diferente,
Sendo único e inesquecível cada momento
Que juntos viveremos e nos lembraremos pra sempre.

Há duas formas para viver sua vida:
Uma é acreditar que não existe milagre.
A outra é acreditar que todas as coisas são um milagre.

Feliz Dia do Amigo!

Time to Say Goodbye

And more Paul Potts at these links:

quinta-feira, 19 de julho de 2007

Arnaldo Jabor speaks from his heart

Once again, I am illegally reproducing the immortal words of Arnaldo Jabor, published in O Globo, Segundo Caderno, p. 8, on July 17, 2007.

Estão matando nosso passado

Alguma coisa delicada desaparece no Brasil de hoje

....No corredor da casa de minha infância, no Rocha, na antiga Rua Guimarães, hoje Almirante Ari Parreiras, no fundo do corredor brilhava uma pequena imagem de Santa Terezinha do Menino Jesus, que minha mãe adorava. Com uma braçada de rosas no peito, um crucifixo na mão esquerda, ela está até hoje aqui, agora, na minha mesa, ao lado do computador. Não tem mais que um palmo de altura, está descorada pelo tempo, mas, na época, ela era fosforescente. Sim, uma tinta especial dava-lhe uma aura esverdeada que iluminava fracamente o fundo do corredor tão longo, como uma promessa de milagre, de esperança. Olho a pequena estatueta na minha mão. É tão pobrezinha, de massa, mas veio da França -- vejo no pedestal. O rosto da santinha está quase apagado, mas seus olhos são nítidos, dois pontos negros fixados no chão, a cabeça baixa, triste, não por ela mesma, mas como deprimida pelo mundo organizado à sua volta, nos objetos de minha mesa: o roteador wireless, o cellular carregando, os fios do iPod, numa estranha convivência que a faz, coitadinha, inatual e deslocada.
....Santa Terezinha me conecta, para usar uma palavra moderna, cria um link entre mim e meu passado. E lembro-me que ela se iluminava no centro de minha infância profunda, uma infância de fugas do mundo real, pois eu fugia de alguma coisa triste, muito triste, que pressentia nas casas, nos vizinhos, nos amigos de meus pais, nas falas óbvias e batidas, no dia-a-dia sem grandeza do bairro, como se todos obedecessem às ordens banais de chefes ignorantes e leis ridículas. Da luz de Santa Terezinha que me olha agora, apagandinha, eu fui em busca de outras luzes que me livrassem da vida mortiça do subúrbio. Lembro-me de quando conheci o cinema, no Cine Palácio Vitória, que resplandecia na esquina da Rua Conselheiro Mayrink, e do qual nada resta. Na escuridão, fugia para dentro dos filmes, como o "Ladrão de Bagdá", dos filmes com as odaliscas de pernas lindas, os faroestes de Randolph Scott, Tarzan.
....Depois, no fim das matinês, esperava, como um pedinte, os fotogramas coloridas, restos de películas que arrebentavam nos projetores a carvão e que o velho projecionista do Palácio Vitória me dava, no caminho de casa. Eu olhava os fotogramas contra o sol, promessas de aventuras, múmias sinistras e rostas de princesas, cavalos a galope e beijos na boca, e eles me levavam para longe da minha rua. Quando passava com meu pai no velho Ford 46 em frente ao Morro da Mangueira, que eu achava sujo e quebrado, eu não entendia aquilo e lhe perguntava por que não "consertavam" o morro, e meu pai não respondia. Eu vivia assim, vendo a vida meio de fora, com medo de cair naquele mundo que eu não entendia, que me era nebuloso, inexplicável.
....Até que um dia assisti a um teatrinho de praça. Era uma pecinha vagabunda, nem sei onde era, uma quermesse, algo assim, em que as marionetes, os bonecos pulavam, berravam e se esfaqueavam com uma estranha crueldade, uma violência espantosa para um teatro infantil. A loura boneca mamulenga caía morta, gritando sob a faca do amante, que lhe arrancava um coração de pedra vermelha. Havia uma verdade naqueles brutos mamulengos que me abriu uma clareza na alma, alguma coisa que escondiam de mim. Até hoje me lembro daquele coração arrancado.
....Uma outra vez, lembro-me de uma visão melancólica e inesquecível. Nas ruas do Rio, andava um velhinho preto, quase um anão, que tocava discos com canções em 78 rotações numa vitrola: canções românticas, trechos de operetas, valsas vienenses, para ouvintes que lhe pingavam tostões. Chamava-se Camundongo (quem se lembra?) e tinha um velho caminhãozinho, um triciclo que ele improvisara e que ele movia com pedais. Tocava música nas ruas, Francisco Alves, Orlando Silva... por vinténs. Na solidão lírica daquele Camundongo, no assassinato da boneca loura, senti que queria voar para longe, junto aos urubus que via flutuando à distância, "dormindo na perna do vento" como me disse Tom Jobim muitos anos depois. Eu percebi que queria uma outra tristeza, mas não a tristeza geral de todo mundo que eu conhecia. Olho Santa Terezinha aqui na mesa e me lembro disso... Se escrevo sobre essas ínfimas lembranças, não é por falta de assunto, não.
....Ao contrário, tenho muitos assuntos neste Brasil de hoje. Mas são assuntos torpes, imundos, são tragédias sociais e culturais insolúveis, são ameaças, perigos, vergonhas, feias coisas que não agüento mais denunciar. E penso: que pediria à Santa Terezinha, com sua luz remota de minha infância? Não pediria a uma santa tão delicada a prisão para vagabundos, justiça para criminosos, vergonha na cara para cínicos e canalhas do Senado, as reformas inadiáveis que os imbecis sindicalistas se recusam a fazer, por estupidez e oportunismo. Nada disso ficaria bem diante de uma imagem tão frágil. Mas pediria o que?
....Já que não temos futuro, acho que pediria a volta ao passado. Alem de impedir o futuro, estão destruindo nosso passado. Estão matando as calmas tardes do subúrbio, apagando a ingenuidade dos comportamentos. Chego a sentir saudades até da precariedade de nossa vida antiga, de um mundo com menos gente louca e má. "Ah! Você por acaso quer a volta do atraso, da miséria terrível de antes?" -- dirão alguns. Não, claro que não. Mas quero a volta de alguma coisa perdida neste país, alguma coisa delicada que sumiu, minha santa, estou com saudades dos amores impossíveis, dos lugares-comuns, dos pactos de morte, do rubor nas faces, de chorinho e chorões, dos prantos convulsivos, dos valores toscos da classe média, do moralismo bobo, do português do botequim, do gato de armazém, do romantismo ridículo, dos pudores, dos desmaios das mulheres, das virgens nas luas-de-mel, de tudo que era baldio, de tudo que soava ingênuo, do futebol no rádio do porteiro, das tardes cinzas, dos banhos de mar, dos carnavais sem massas, pediria, sim, até a volta das ilusões. Isso eu pediria, sim, à minha Santa Terezinha, que conservo até hoje em minha mesa, com devoção de ateu."

segunda-feira, 16 de julho de 2007


Guignard, of course, is known for his lightly surreal, dreamy landscapes with gorgeous colors. It is nearly impossible to find a review of his work that does not focus on this. But, to focus on his landscapes is to misapprehend him entirely.

His landscapes were but one aspect of a deeply thoughtful man. His portraiture reveals the true genius of his art, and the complexity of his character.

sábado, 14 de julho de 2007

Both Sides of the Question

Click on the link below to go to the site of a discussion (in Portuguese) on the polemics surrounding Lula.


Apparently, it was a heated discussion -- there are 187 comments.

terça-feira, 10 de julho de 2007

My friend, Erica Fonseca, took this perfect photograph, in Argentina, on one of her trips.

sexta-feira, 6 de julho de 2007

The Citizen's Voice!

I am happy to say that an editorial columnist (Merval Pereira) in O Globo (July 6, 2007, p. 4) has indicated a brilliant website (in Portuguese) called "A Voz do Citadão" (the Citizen's Voice), which is dedicated to spreading information concerning how you can become more informed about the possibilities to improve, in your own way, what is occurring here in Brazil.



quarta-feira, 4 de julho de 2007

Gente! Por favor! Wake up!!!

OK, I am going to steal, illegally, again, the words of Arnaldo Jabor from page 10 of the Segundo Caderno of O Globo, edition of 3 July 2007.

Lula pensa: "Eu justifico os meios!"

O apoio do Executivo ao Senado ameaça a democracia

...No presidencialismo de coalizão, em geral, o presidente fica na mão do Congresso; agora, o Senado ficou na mão de Lula e contou com seu apoio. Lula acaba de fortalecer o pior lado do Congresso, no apoio que deu a Renan Calheiros, que ameaaçava não votar nada do governo. O PMDB está cobrando agora o apoio que deu ao PT na época do esgoto da "mensalão". Ou seja: escrotidão com escrotidão se paga.
...E o fascinante nisso tude é que Lula se "benefícia" dessa lama do Congresso.
...Apoiado por 65% da população mal informada, Lula exerce um espécie de "despotismo não escalrecido", navegando na política econômica que herdou do FHC (e que ele não é bobo de mexer) e na sorte imensa de governar com o mercado mundial com imensa liqüidez. Ele quer curtir seu mandato, com calma, luxo e volúpia. Aceita a tutela do PMDB e usa uma linguagem com resquícios de esquerda; exala tranqüilidade britânica, saboreando as delícias de seu mandato.
...Lula é responsável, sim, pelo caos do Senado. Sua forma displicente de governar, de não fazer marola, contamina a política toda. Na práctica, o país está sendo governado por um "bonapartismo" cordial, de vaselina, em que um símbolo operário mantém seu charme de marketing sobre a vida social, anulando a vida política.
..."Os políticos são todos uns ladrões" -- pensa o povo -- "mas nosso Lula está acima da política..."
...Para além do oportunismo de Lula e do PT, há também neste governo o mesmo rationale que explicava a distribuição de dinheiro do mensalão. Há um gélido desprezo de homens "superiores" do PT e Lula, em seu narcisismo sindicalista, pela "ética burguesa", o que permite, de cara limpa, numa boa, beijar a mão do Barbalho ou dar força para Renan. "Estamos acima disso tudo que está aí... pois miramos uma 'coisa' maior!" Aquilo que já foi o slogan utópico dos comunas virou o sujo lema da permissividade atual, pois, como não têm utopia alguma, a não ser seus cem mil cargos no Estado, usam-no para manter limpas suas "boas consciências" irresponsáveis que estimulam a corrupção. Assim como os comunas acham que os fins justificam os meios, Lula pensa: "Eu justifico os meios!"
...Lula descobriu que não precisa governar. Basta pairar no "Ibope". Lula recusa qualquer reforma política ou econômica. Em quase cinco anos, ele não fez absolutamente nada, a não ser mamar na herança bendita do FH (que está sendo dilapidada com petistas invadindo o Estado como uma porcada magra no batatal) e prometer planos de crescimento, como o PAC, que, pelo jeito, não sairá do papel, dadas a lentidão patológica da administração e a falta de garra.
...Parafraseando Dora Kramer: quando acabar o mandato, Lula será louvado pelas coisas boas que não fez (e sim FH) e não será criticado pelas péssimas coisas que fez (explosão de gastos, imprevisão, falta de projetos etc...) que vão explodir no colo do sucessor.
...Lula quer o êxtase da aceitação total e vale tudo para isso. Ele substituiu o atraso tradicional por um atraso travestido de novo, um ensopadinho de slogans populistas com um estatismo inchado e falido. Bela vitória do atraso nacional, apoiado por massas que não entendem nada. Lula desmoralizou os escândalos, vulgarizou as alianças.
...Que fazer quando Lula apóia o Renan e põe a mão em sua cabeça, enquanto verbera contra a PF e o Ministério Público? Quando o Collor caiu, ainda existia o escândalo. Havia ainda os "homens de bem da República", havia Barbosa Lima Sobrinho, gente assim, ainda havia o susto, a indignação. E agora? Como vamos protestar? Com as cartas dos leitores? Por um idiota solitário como eu e outros journalistas "fascistas", como nos apelidou o Renan? Está havendo uma espécie de "chavismo" molenga e disfarçado de Lula que estimula essa mixórdia e lucra com ela.
...Há um caos se armando por aí. Não há instrumentos que a opinião pública possa usar para pôr fim, pôr "cobro", como se dizia, a esta espantosa desmoralização da democracia. Alguma coisa de muito grave está se gestando, uma doença, uma terrível crise no ventre do país. Um autoritarismo virá? De quem? Os militares foram na época motivados pela Guerra Fria, pelo medo de comunismo. Um autoritarismo civil? Com quem? Onde está esse homem? Uma onde plebiscitária irrefreável? Mas movida por que maremoto de opiniões? O grave é que os políticos não estão mais se escudando e protegendo apenas por saberem da impunidade que o Poder Judiciário lhes garante. Não. Eles estão adorando nos anestesiar para sempre, eles estão percebendo que, além da impunidade, há o tédio, a banalização do horror, eles descobrem maravilhados a segurança suprema: a permissividade concedida pelo povo. E apoiada pelo Lula. E nós estamos aprendendo a querer pouco.
...A "Veja" de anteontem nomeou os cinco mosqueteiros da ética: Gabeira, Simon, Jarbas Vasconcelos, Demóstenes e Jefferson Peres.
...Deve haver mais, no Congresso. Temos de fazer a lista das pessoas que podem ajudar em um mutirão contra este horror. Dentro e fora do Congresso. Quem? Hoje temos um país deprimido e impotente para reagir, assistindo a um festival horrendo de mentiras (quem viu o show psicótico-melodramático de Roriz na TV?), onde nada de bom acontece nem consola; em suma, um país perfeito para a crise que virá, com o primeiro retrocesso que houver na economia mundial.
...Só Lula e o poder que 65% do povo lhe dão poderiam fazer alguma coisa. Mas, ele não quer aporrinhação. Os crimes do Congresso ficarão sob seu beneplácito de sua realpolitik, nome de guerra para sua preguiça e seu desinteresse.
...Lula não lutará contra nada. A reforma política não virá, reforma alguma virá. O fim da Comissão de Orçamento não virá. As emendas individuais ou de guarda-chuva não acabarão jamais, o Judiciário continuará como está, jamais condenando alguém. Ele não lutará por sua mudança, razão maior de nossas roubalheiras endêmicas. Nada virá, só o imprevisível e, como sempre, tarde demais.

segunda-feira, 2 de julho de 2007